A CARREIRA EXECUTIVA E A FORÇA INTERIOR QUE NOS GUIA

Costumo pensar que aquilo que nos move e forja o nosso caráter e os nossos valores é uma mescla entre a paixão e a crença. E isso nada tem de místico: é simplesmente muito difícil, atualmente, penso, competir em um mercado extremamente cheio de dificuldades, barreiras, entraves e bons competidores sem paixão.

É óbvio que não dá para minimizar, sob nenhum pretexto, a importância da estratégia e de uma boa gestão econômico-financeira. Mas dados os desafios que estão sendo colocados no século XXI, vejo uma crise muito grande de valores e propósitos. As pessoas parecem estar sem um referencial maior e se questionam por que colocar o melhor do seu coração, da sua inteligência, da sua energia a serviço da organização.

Diariamente, as pessoas são bombardeadas por um grande número de notícias ruins, difusas, que afetam a esperança de uma vida melhor, que derrubam o estado de motivação; há várias crises éticas manchando a reputação de grandes empresas, e isso mexe com o moral e a crença das pessoas de que é possível vencer executando um trabalho honesto. Mas quem quer abraçar uma carreira executiva com seriedade deve driblar isso, pois o impacto que esses profissionais terão na formação das próximas gerações é enorme. É quase um exercício de fé nos valores, na crença de que é possível persistir em prol de uma causa relevante, maior. Tomando o cuidado para não confundir esse tópico com religião, pois de forma alguma tenho essa intenção, devo dizer que acredito que a fé pode nos ajudar a superar vários limites. Há uma força interior, independentemente de classificações, que nos move. E ela nos ajuda a perseguir uma causa justa, realizar um trabalho socialmente relevante.

É claro que é preciso estar atento para as “distrações” ao longo do caminho. Falo do ego e das “máscaras” que adotamos para jogar o jogo do poder. Tenho percebido na minha experiência como executivo, as empresas cada vez mais demonstrando sinais de que estão doentes. Sempre com o devido cuidado da não generalização, pois seria inapropriado de minha parte, tenho conhecido, entretanto, algumas empresas, as quais parecem operar negócios que, para gerar riqueza, estão tratando as pessoas como se fossem recursos descartáveis. Não é normal e isso, a meu ver, coloca em xeque a viabilidade desse tipo de negócio. Há aí um apelo hedonista que dá vazão a questões superficiais, achando que o consumismo é a resposta para tudo. Mas o vazio é existencial, falta de um propósito maior a inspirar o melhor das pessoas.

É preciso humildade e resiliência para enxergar o que precisamos para nutrir essa força interior. Aqui, geralmente, a busca pelo autoconhecimento se faz notar quase de maneira natural. Quanto mais nos abrirmos ao processo de autoconhecimento, honrando as origens, a família, as tradições, os antepassados, a ética, o trabalho sério, a educação, o respeito pelo ser humano e por todos os seres vivos, melhor. Acredito que a espiritualidade será cada vez mais uma disciplina a ser discutida nas empresas modernas, pois quando nos livramos de preconceitos e paradigmas ultrapassados, temos mais chances de desenvolver organizações mais humanizadas e competitivas, em sintonia com as demandas de um novo tempo que já nos faz perceber a necessidade de novos modelos de empreendimentos e de novos referenciais. E essa força é poderosa o suficiente para captar o melhor das pessoas, conectando-as em prol de uma boa causa.

Por Américo Figueiredo – americo.figueiredo@fellipelli.com.br

Chief Operating Officer, Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional e Docente em Gestão de Pessoas