Gestão de pessoas sem método é improviso

Por Américo Figueiredo – americo.figueiredo@fellipelli.com.br Chief Operating Officer, Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional e Docente em Gestão de Pessoas

O Brasil é um país conhecido pelo jeitinho, pela prática do improviso, do jogo de cintura. Tudo isso torna a nossa cultura algo agradável, mais descontraída e por isso nos orgulhamos.

Contudo, quando vamos para o ambiente organizacional, percebemos e, sobretudo, vivenciamos, salvo honrosas exceções, as dores da falta de métodos, da ausência de modelos e programas mais estruturados para enfrentar os diversos desafios que constituem a moderna gestão empresarial.

Como executivo de recursos humanos de grandes organizações nacionais e internacionais, lidei, inúmeras vezes, na operação brasileira, com a falta de métodos e a propensão ao improviso e de um certo “achismo” na tomada de decisões complexas, que, via de regra, impactam a vida de milhares de pessoas que dependem da organização.

Temos um traço cultural de pouca disciplina, de ausência de bases e modelos estatísticos, de pesquisa aplicada. Como professor em programas de pós graduação em Gestão de Pessoas, também percebo a carência de pesquisas aplicadas à realidade brasileira para ajudar os alunos nas escolas de negócios.

Desnecessário aprofundar sobre a crescente transformação por que passam os negócios neste início de século. Complexidade e, a meu ver, certa perplexidade com que temos visto movimentos disruptivos que fazem surgir novos empreendimentos via start ups, graças ao desenvolvimento digital cada vez mais presente em nosso cotidiano. Do lado das organizações mais tradicionais, mesmo as de grande porte, um assombro de preocupação em não saber como lidar com tamanha escalada de transformação que ameaça o seu posicionamento competitivo no mercado.

Estamos diante de um enorme desafio de criação de valor. Organizações que não forem capazes de ser percebidas pelo mercado como geradoras de valor, desaparecerão como os dinossauros. Criação de valor é feito por meio do Capital Intelectual. Sem investimento nas pessoas o capital intelectual de um empreendimento fica comprometido. Portanto, pessoas certas antes da estratégia como direcionador principal.

Essa transformação exponencial que está acontecendo, requer, pondero, que nos beneficiemos dos avanços científicos, das pesquisas aplicadas, que sejamos mais metodológicos, mais estruturados na gestão de pessoas, utilizando a riqueza que o conhecimento aplicado nos proporciona.

Decisões sobre gestão de pessoas estão sendo cada vez mais requeridas pelas organizações de todos os portes e segmentos. Um movimento irreversível de competitividade baseado na geração de valor, na formação de culturas organizacionais que suportam essa geração de valor e, de uma gestão que priorize a inteligência das pessoas.

Portanto, como nos ensina o professor Dave Ulrich, o protagonismo da função Gestão de Pessoas é fundamental, tendo em vista que os executivos bem-sucedidos têm reconhecido, cada vez mais, a importância de habilidades individuais (talento), as capacidades organizacionais (cultura) e a liderança como a chave para o sucesso dos seus empreendimentos.

Para lidar com esse cenário, pondero, fundamental que a função de Gestão de Pessoas incorpore em seu modelo de operação, metodologias cientificamente comprovadas, como os mais recentes avanços da neurociência, por exemplo, que têm proporcionado revelações extraordinárias sobre o cérebro humano, tais como o funcionamento do nosso córtex pré-frontal na tomada de decisões e como o nosso sistema límbico pode nos fazer perder o controle emocional.

Cada etapa da cadeia de valor da função de Gestão de Pessoas – atração e desenvolvimento de talentos, gerenciamento do desempenho (avaliação e recompensas), desenho organizacional (trabalho em equipe, desenvolvimento organizacional) e comunicação, deve ser executada mediante a aplicação de protocolos cientificamente comprovados para que, sim, sejamos capazes de aplicar conhecimento e, portanto, valor aos desafios empresariais.

Gestão de pessoas baseada no improviso é coisa do passado.