O PAPEL DO DESIGNER ORGANIZACIONAL: SAIBA COMO VENCER A CRISE DO RH

Com o aumento das demandas e a necessidade de assumir diversos papéis em um único cargo, os profissionais foram, aos poucos, deixando de lado suas habilidades criativas e se concentrando apenas nas atividades operacionais.

O resultado disso está estampado nos modelos de trabalho quadrados e metódicos, sem espaço para a inovação. Dessa forma, todos ficam amarrados às soluções antigas e acompanhar a evolução e se posicionar no futuro é cada vez mais difícil. Entretanto, as organizações que insistirem manter as velhas fórmulas tradicionais de trabalho correm o risco de perder sua posição no mercado e enfrentar ainda mais dificuldades.

O mercado precisa de profissionais inovadores, que coloquem ideias em prática e que não se deixem intimidar pelo medo. A insegurança é o principal inimigo no processo de evolução, por isso é preciso se familiarizar com os erros e encará-los como uma oportunidade de melhoria. Os profissionais, não só de RH, precisam desconstruir seus modelos mentais e buscar reinventar sua forma de trabalhar para conseguir acompanhar o novo mundo.

Não é possível nos adaptarmos a um sistema doente.

Esse é o objetivo do designer organizacional, olhar para fora e para o futuro e propor diferentes desenhos, estruturas e processos de trabalho que façam mais sentido e ajudem as pessoas a desenvolver melhor suas habilidades.

No livro DesigneRHs para um Novo Mundo, Marco Ornellas fala sobre o processo de reconstrução do pensamento e o processo de abandono dos modelos antigos para abrir espaço para o novo. São três atitudes primordiais para começar a atuar como designer organizacional:

1 – Desapegar

O primeiro passo pode ser doloroso, para muitas pessoas, mas só é possível olhar para o futuro quando se deixa os antigos hábitos para trás. Os profissionais de RH estão muito ligados ao trabalho operacional e à burocracia e se desprender disso é algo que acontece de forma gradual. Usar as novas tecnologias por si só, sem uma mudança na estrutura organizacional e preparo dos profissionais para isso, não garante melhorias, pelo contrário, pode até dificultar alguns processos. E é este cenário que se vê nas empresas, emprego de tecnologias em si, sem nenhum preparo estrutural.

Por todos os lados, é possível ver exemplos de como o trabalho operacional do RH pode ser substituído por ferramentas digitais e inteligência artificial, exigindo um tempo significativamente reduzido e mais efetividade nas respostas. Ou seja, as ferramentas hoje uma realidade, em alguns anos, irão dominar o mercado. Os profissionais que quiserem sobreviver nesse novo mundo terão que se reinventar.

A tecnologia, de certa forma, vai substituir parte das atividades da força de trabalho. Mas, isso não significa que as pessoas não serão mais necessárias. Significa que a força de trabalho precisa atuar de forma diferente para assumir um outro papel dentro das empresas, quem sabe um papel mais pensante e menos operacional.

2 – Doar

Por muito tempo, o RH assumiu o papel de cuidador e defensor dos funcionários e as empresas entendiam que a principal responsabilidade desse departamento era o de administrar e gerenciar as pessoas. O que entendemos como designer organizacional pressupõe uma nova abordagem para o RH: dar ao indivíduo o direito de protagonismo, a autonomia de fazer escolhas e assumir responsabilidades. Quando falamos em doação queremos dizer, atribuir à tecnologia as tarefas que ela pode fazer mais rápido e melhor e às pessoas a responsabilidade e protagonismo perante suas ações.

O ato de doar, nesse caso, é deixar os profissionais da empresa responsáveis por suas próprias estratégias e livres para redesenhar novos processos de trabalho que façam mais sentido para acompanhar as evoluções tecnológicas. Doar também significa compartilhar conhecimento e encontrar novas formas de aprendizagem a fim de ajudar todos os colaboradores da organização a caminharem para o sucesso.

Doar também significa delegar aos gerentes o protagonismo da gestão das pessoas.

3 – Descobrir

A curiosidade é uma característica bastante importante nessa era de transformação, inovação e mudanças. Estamos passando pela quarta revolução industrial e a humanidade nunca vivenciou nada parecido. A profundidade e amplitude das mudanças são únicas. É preciso coragem para desbravar o novo para descobrir novas soluções às necessidades dos profissionais e do mercado. Ser um designer organizacional significa ser curioso, buscar novas práticas de exploração e ter um jeito diferente de pensar. O designer organizacional é o profissional que não se sente ameaçado pela tecnologia. Pelo contrário, ele sabe como utilizá-la a seu favor, otimizando os processos do seu trabalho e reduzindo a quantidade de erros.

Cada vez mais inovação e produtividade são fatores importantes para as organizações. O nível de exigência aumenta e as empresas que não acompanharem correm o risco de serem deixadas para trás. E é por isso que tanto se fala sobre transformação digital e inovação. Os métodos tradicionais já não são mais efetivos para atender às necessidades do mercado, é preciso descobrir novas formas de trabalhar para perseverar no futuro.

Mesmo que o cenário atual seja complexo e diferente de tudo que já vivemos, ainda é possível encontrar soluções viáveis, sustentáveis e acessíveis para os problemas de hoje. O designer organizacional, com seu jeito diferente de pensar e sua forma de olhar o mundo, trabalha para desenvolver tarefas de acordo com a habilidade de cada profissional, pois ele entende o comportamento das pessoas ao seu redor e cria soluções relevantes para o cenário no qual atua.

O RH precisa de profissionais empáticos, colaborativos e experimentadores. Os modelos obsoletos precisam ser substituídos por designers organizacionais, que contribuam para o desenvolvimento de toda a força de trabalho e para o crescimento da empresa. A crise do RH pode ser retrato da insistência em se manter no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, com os mesmos processos e os mesmos hábitos, ainda que muitas vezes acredite que tenha pouco valor ou resultado. Para vencer esse período, é necessário se reinventar e abrir as portas para o novo.

Em seu livro, Marco Ornellas fala sobre esse processo de mudança e dá dicas e nortes para ajudar profissionais como você a entender a complexidade desse novo mundo e a se adaptar às mudanças. 

Matéria exibida no site http://www.ornellas.com.br